Domingo, 04 de Abril de 2010

O nosso corpo é um instrumento da dor e a alma tem a percepção dessa dor. Essa percepção é o efeito. A lembrança que dela conserva pode ser muito penosa mas não pode implicar acção física.

 

Todos os dias vemos a lembrança ou a preocupação de um mal físico produzir os seus efeitos até mesmo ocasionar a morte. Todos sabemos que as pessoas que sofrem amputações sentem dor no membro que perderam. Mas essa dor não é causada pela ausência do membro mas sim provocada pelo registo que existe no cérebro.

 

Podemos então supor que existe qualquer coisa semelhante no sofrimento dos espíritos após a morte do corpo.

 

O perispirito é o elo que une o espírito à matéria do corpo é tomado do meio ambiente, do fluido universal, contem ao mesmo tempo electricidade, fluido magnético e até um certo ponto a própria matéria inerte.

 

É o princípio da vida orgânica, porque a vida intelectual pertence ao espírito. É também o agente de sensações externas.

 

No corpo estas sensações estão localizadas nos órgãos que lhes servem de canal. Destruído o corpo as sensações tornam-se generalizadas e por isso o espírito não diz que sofre mais da cabeça do que dos pés. Liberto do corpo o espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é o mesmo do corpo. Pode queixar-se de frio ou de calor mas não sofre mais no Inverno do que no Verão. Pode passar através de chamas que nada lhe acontece o que mostra que a temperatura não exerce sobre os espíritos nenhuma impressão.

 

A dor que sentem não é dor física propriamente dita é um vago sentimento interior de que o próprio espírito nem sempre tem perfeita consciência, porque a dor não está localizada e não é produzida por agentes exteriores é antes uma lembrança penosa.

 

No momento da morte o perispirito desprende-se mais ou menos lentamente do corpo. Nos primeiros instantes o espírito não compreende a sua situação, não acredita que morreu, sente-se vivo, vê o seu corpo ao lado sabe que é seu e não entende que está separado. Este estado dura todo o tempo em que existe o elo entre o corpo e o perispirito.

 

Uma alma desencarnada poderá dizer que não está morta e entretanto poderá dizer que sente os vermes roerem-lhe o corpo. Ora os vermes não poderiam roer o perispirito nem o espírito mas unicamente o corpo. Como a separação do corpo e do espírito não estava completa havia uma visão do que se estava a passar no corpo, o que produzia uma ilusão considerada real.

 

Durante a vida o corpo recebe as impressões e transmite-as ao espírito através do perispirito que constitui o que se costuma chamar de fluido nervoso.

 

O corpo estando morto não sente mais nada porque não possui espírito nem perispirito. O espírito desligado do corpo experimenta a sensação mas como não lhe chega por um canal limitado, torna-se geral. Como o perispirito é apenas um agente de transmissão, pois é o espírito que possui a consciência, deduz-se que se pudesse existir perispirito sem espírito ele não sentiria mais do que um corpo morto. Da mesma maneira se um espírito não tivesse perispirito seria inacessível a todas as sensações penosas. É o que acontece com os espíritos completamente purificados.

 

Quanto mais o espírito se purifica mais eterizada se torna a essência do perispirito de maneira que a influência material diminui à medida que o espírito progride ou seja à medida que o perispirito se torna menos grosseiro.

 

As sensações agradáveis são transmitidas aos espíritos tanto quanto as desagradáveis.

 

Os espíritos mais elevados são inacessíveis às impressões da nossa matéria. Não se dá o mesmo com aquele cujo perispirito é mais denso, pois ele percebe os nossos sons, sente os nossos odores e compreendem-nos sem necessidade da palavra pela simples transmissão do pensamento.

 

A faculdade de ver é um atributo essencial da alma para a qual não há obscuridade, e apresenta-se mais ampla e penetrante entre os que estão mais purificados.

 

A alma ou o espírito, tem portanto em si mesma a faculdade de todas as percepções. Na vida corpórea elas são eliminadas pela grosseria dos nossos órgãos. Na vida extra corpórea libertam-se cada vez mais à medida que se torna menos denso o envoltório semi-material.

 

Este envoltório varia segundo a natureza dos mundos. Ao passar de um mundo para outro os espíritos mudam de envoltório como mudamos de roupa ao passar do Inverno para o Verão.

 

Os espíritos mais elevados quando vêm visitar-nos revestem o perispirito terrestre e então as suas percepções assemelham-se às dos espíritos vulgares. Mas todos eles, inferiores e superiores só ouvem e sentem o que querem ouvir e sentir. Havendo apenas uma coisa que são forçados a ouvir: os conselhos dos bons espíritos.

 

A vista é sempre activa, mas podem tornar-se invisíveis uns para os outros.

 

Conforme a classe a que pertençam podem ocultar-se dos que lhes são inferiores, mas não dos superiores.

 

Nos primeiros momentos após a morte a vista do espírito é sempre turva e confusa esclarecendo-se na proporção em que ele se liberta e podendo adquirir a mesma clareza que tinha durante a vida, além da possibilidade de penetrar nos corpos opacos. Quanto à sua extensão através do espaço infinito, no passado e no futuro, depende do grau de pureza e elevação do espírito.

 

Os sofrimentos deste mundo decorrem na maioria das vezes das nossas condutas muitas doenças se devem aos nossos excessos e à nossa ambição. O homem que tivesse vivido sem abusar de nada que tivesse tido sempre gostos simples e desejos moderados teria-se poupado a muitos sofrimentos.

 

O mesmo acontece com os espíritos. Os sofrimentos que ele enfrenta são sempre consequências da maneira como viveu na terra.

 

Esses sofrimentos são o resultado dos laços que existem entre o espírito e a matéria. Quanto mais estiver desligado da influencia da matéria menos sensações penosas sofrerá.

 

Depende dele afastar-se dessa influência desde esta vida, pois tem o livre arbítrio e por conseguinte a faculdade de escolha entre o fazer e o não fazer.

 

Que não tenha ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho, que não se deixe influenciar pelo orgulho nem se deixe dominar pelo egoísmo, que purifique a sua alma pelos bons sentimentos, que pratique o bem, que não dê às coisas deste mundo senão a importância que elas merecem e então sob o seu envoltório corpóreo já se terá purificado desprendido da matéria e quando o deixar não sofrerá mais a sua influencia.

 

Os sofrimentos físicos que tiver passado não lhe deixarão nenhuma lembrança penosa, não lhe restará nenhuma impressão desagradável porque estas não afectaram o espírito mas apenas o corpo. Irá sentir-se feliz por se ter libertado e a tranquilidade da sua consciência irá afastá-lo de todo o sofrimento moral.

 

Poderemos concluir que se sofremos é porque queremos e só devemos queixar-nos a nós próprios, tanto neste mundo como no outro.



publicado por isabel-maria às 18:43
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