Domingo, 07 de Dezembro de 2008

Estamos sempre a dizer que amamos o próximo, que fazemos caridade, que nos preocupamos quando alguém está mal, mas será que isso é verdade?

 

Saberemos o que é caridade? Será que temos fé suficiente para poder fazer caridade?
 
Hoje em dia a caridade que se pratica é em troca de um recibo que pode ser deduzido nos nossos impostos.
 
Julgamos que nos preocupamos com os outros mas na realidade preocupamo-nos só connosco. Se tudo nos corre bem, temos fé em Deus, acreditando que nos está a ajudar, mas se algo não corre como gostaríamos dizemos: Deus não nos ouve, eu pedi tanto que me ajudasse e Ele nem me ouviu.
 
E será que não ouviu e não ajudou?
 
Deus está sempre a ajudar-nos, muitas vezes a ajuda que nos dá não é logo naquele momento ou da maneira que nós queremos e sim aquilo que Deus acha que é melhor para nós.
 
Então onde está a nossa fé?
 
A certeza que não estamos sozinhos que todos somos filhos de Deus somos feitos à sua imagem e semelhança e que nunca nos abandona?
 
E se não temos essa fé como poderemos dizer que fazemos caridade?
 
Porque a verdadeira caridade é um dos mais sublimes ensinamentos de Deus.
 
A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que damos nem nas palavras de consolação que poderemos dizer.
 
Deveremos amar todos os seres vivos como filhos de Deus que são sem haver discriminações. Não poderemos fazer diferenças entre nós e os criminosos, os infelizes, os sem abrigo e os doentes. Porque são irmãos muito necessitados e não poderemos ignorá-los.
 
A caridade consiste também em sermos benevolentes.
 
Deveremos saber amar todos os nossos inimigos, porque se o amor ao próximo é o princípio da caridade, amar os inimigos é a sua aplicação sublime.
 
Termos esta virtude temos uma das maiores vitórias conquistadas sobre o egoísmo e o orgulho.
 
Podemos pensar, como teremos pelos nossos inimigos a mesma ternura que temos pelos amigos ou irmãos? Porque a ternura pressupõe confiança e não se pode ter confiança naqueles que nos querem mal. Da mesma maneira que não poderemos ter relações de amizades por aqueles que sabemos que abusam delas.
 
Amar os inimigos não é ter com eles uma relação que não é natural uma vez que o contacto com um inimigo faz bater o coração de maneira inteiramente diversa que o de um amigo.
 
Mas é não lhes ter ódio, nem rancor ou desejo de vingança. É perdoá-los sem segunda intenção e incondicionalmente, pelo mal que nos fizeram. É não opor nenhum obstáculo à sua reconciliação. É desejar-lhe o bem em vez do mal. É ficarmos alegres com as coisas boas que eles possam ter na vida em vez de ficarmos aborrecidos. É saber estender-lhes a mão em caso de necessidade. É saber abster-nos por actos e palavras de tudo o que possa prejudicá-los. É saber pagar-lhes todo o mal com o bem sem a intenção de humilhá-los.
 
Assim estamos amando os nossos inimigos.
 
Para aqueles que não acreditam em Deus e julgam que não existe nada para além da morte do corpo, amar os inimigos é um absurdo que só lhes perturbam o sossego e que só a morte os pode livrar. Daqui resulta o desejo da vingança. Não há interesse em perdoar a menos que seja para satisfazer o seu orgulho aos olhos do mundo. E perdoar até parece uma fraqueza indigna da sua personalidade.
 
Para os que acreditam, olham para o passado e o futuro e sabem que a vida presente é um momento apenas.
 
Que viemos à Terra porque temos condições necessárias à nossa própria evolução.
 
Cá encontramos homens maus e perversos, que as maldades a que estamos expostos fazem parte das provas que devemos sofrer. Deste ponto de vista a vida torna-se menos amarga.
 
E se não nos queixamos das provas também não nos devemos queixar dos que lhe servem de instrumentos que são os maus e perversos.
 
Então devemos agradecer a Deus por termos tido oportunidade de passar por essas provas e conhecer aqueles que hoje consideramos nossos inimigos porque são parte integrante da nossa evolução.
 
Com este pensamento encaminhamo-nos naturalmente para o perdão.
 
Todos sabemos que somos eternos que aquilo que somos hoje seremos um dia como almas desencarnadas e conforme existem homens maus na Terra assim existem espíritos maus ao redor dela.
 
A maldade não é um estado permanente do homem mas decorre de uma imperfeição momentânea que um dia reconhecerá os seus erros e se tornará bom.
 
Poderemos ter inimigos entre as almas encarnadas e as desencarnadas. Os inimigos do mundo invisível manifestam a sua maldade pelas obsessões e subjugações que tantas pessoas estão expostas e que representam uma variedade de provas de vida que também contribuem para o desenvolvimento e devem ser aceites com resignação como uma consequência de mundos inferiores aos da Terra.
 
Portanto também estes irmãos deverão ser amados porque não são mais do que almas desencarnadas que ainda se encontram agarrados aos bens materiais. Deveremos saber fazer a eles caridade.
 
O amor aos nossos inimigos não se restringe somente ao círculo da Terra e da vida presente integra-se na grande lei da solidariedade e da fraternidade universais.
 
Jesus disse um dia: “ não resistais ao que vos fizer mal: mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra”.
 
Para os orgulhosos isto parece uma cobardia porque não compreende que há mais coragem em suportar um insulto do que em se vingar.
 
Jesus não proibiu a defesa mas condenou a vingança.
 
Jesus ao dizer para oferecermos uma face quando formos batidos na outra quis dizer que não devemos retribuir o mal com o mal e que o homem deve aceitar com humildade tudo o que tende a reduzir-lhe o orgulho, que é mais glorioso para ele ser ferido do que ferir, suportar pacientemente uma injustiça do que cometê-la, que mais vale ser enganado do que enganar.
 
A fé na vida futura e em Deus é o que nos pode dar força para suportar pacientemente os atentados aos nossos interesses e ao nosso amor-próprio. E quanto mais nos elevarmos pelo pensamento acima da vida material menos seremos feridos pelas coisas da Terra.
 
A vingança é um índice seguro do atraso dos homens e dos espíritos que podem inspirá-la.
 
Devemos todos pedir ajuda a Deus para que nunca possamos sentir o desejo de vingança. Que nos ajude a saber perdoar os nossos inimigos.
 
Porque saber perdoar é saber fazer caridade e fora da caridade não há salvação.
 
 
 
 
 
 
 


publicado por isabel-maria às 13:50
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